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domingo, 14 de novembro de 2010

Belo Horizonte - Lugares & Imagens _ A Avenida Afonso Pena

Belo Horizonte é uma cidade construída no final do século XIX. O seu estilo caracterísitco pode ser definido com sendo eclético. Esse estilo artístico provavelmente foi influenciado pelas idéias e pelo trabalho da  Academia Imperial de Belas Artes durante o século.




O ecletismo significa a combinação de diferentes estilos históricos em uma única obra sem com isso produzir novo estilo. Para o principal teórico do ecletismo, César Denis Daly, esse estilo significa "o uso livre do passado". Não é simplesmente copiar o passado, mas trabalhar elementos de estilos do passado com a habilidade para combinar as características superiores desses estilos em construções que satisfaçam a demandas da época por todo tipo de edificação.


A AVENIDA AFONSO PENA

No projeto original de Aarão Reis, a Avenida representava o eixo norte-sul do perímetro urbano da "Cidade de Minas Gerais" (o primeiro nome dado a capital mineira). Foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897 (no mesmo dia da inauguração de Belo Horizonte). Era a via pública  mais larga via da cidade, com 50 m de largura.



A arquitetura inspirada num estilo eclético com toque neoclássicos desde o início foi o seu ponto alto. Nessa época também se destacavam os  fícus plantados em ambos os lados da via e trilhos por onde passavam os bondes. Estas árvores foram derrubadas ainda na década de 1930  e os bondes anos mais tarde foram desativados para aumentar as pistas de rolamento de automóveis.



A avenida sempre teve início na Praça Rio Branco, mas originalmente terminava na praça do Cruzeiro, atual Praça Milton Campos. Em 1970, sua extensão foi prolongada até a Praça da Bandeira, chegando aos pés da Serra do Curral e adquirindo o traçado que possui atualmente.

Belo Horizonte - Lugares & Imagens _ Museu da Escola (Antigo Centro de Referência do Professor) e Museu Leopoldo Cathoud (IEMG _ Instituto de Educação de Minas Gerais)

Anteriormente, o Museu da Escola funcionava na sede da Secretaria de Educação, na Praça da Liberdade, no Centro de Referência do Professor. Criado  em 1994, com a finalidade de  preservar a memória da educação escolar e subsidiar estudos e pesquisas no campo de história da educação, com vistas ao aperfeiçoamento técnico-pedagógico dos profissionais da educação.
O acervo é constituído de materiais escolares: são mais  de quatro mil peças, dentre elas: fotografias, carteiras escolares de diversas décadas, diplomas, lousas, canetas, lápis, tinteiros, cartilhas de alfabetização, cartazes de pré-livros, livros infantis, livros de leitura, cadernos, cadernos de caligrafia, ábaco, jogos pedagógicos, pastas escolares, merendeiras, cartazes de ensino, globos, mimeógrafos, projetores de filmes, boletins, cadernetas escolares, móveis e piano.

Atualmente, o Museu da Escola está abrigado no salão nobre do IEMG (Instituto de Educação de Minas Gerais). É um espaço cultural com imenso potencial educativo, basta verificar a constante presença de visitantes






Durante a sua existência centenária, a nossa antiga Escola Normal Modelo, hoje o célebre Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), reuniu um importantíssimo acervo e formou o ainda hoje famoso Museu Pedagógico e Laboratório “Leopoldo Cathoud”. Este importante espaço pedagógico possui um importante conjunto de equipamentos de física, química e astronomia, além de inúmeras amostras mineralógicas, zoológicas, botânicas, paleontológicas. São mais de 5 mil peças, expostas em setores temáticos, que praticamente resumem a história da evolução científica ocidental. Essa coleção teve inicio por volta dos anos 30 do século passado com peças provenientes da Alemanha. Mas, oficialmente, o Museu Pedagógico e Laboratório Leopoldo Cathaud só foi criado em 1946.






Durante anos, o professor Leopoldo Cathoud (e os que seguiram) utilizaram todos esses materiais nas suas aulas práticas com o objetivo de implementar de atender as necessidades pedagógicas do curso normal. Por ser útil na sustentabilidade pedagógica do curso de formação de professores, o laboratório ajudava a embasar e dar sentido as aulas teóricas no campo das ciências. O senhor Cathoud não acreditava que aulas expositivas (quase que apresentações de monólogos pelo professor), blocos de exercícios repetitivos e uma memorização mecânica pudessem contribuir para a construção de um saber pleno. Pelo contrário, ele acreditava que era necessário ensinar o aluno "aprender a aprender". Por isto, Cathoud utilizava em suas aulas uma metodologia indutiva experimental. E, desta forma, contribuiu na formação de visitantes, estudantes, educadores e pesquisadores

Belo Horizonte - Lugares & Imagens _ Praça Rui Barbosa (ou Praça da Estação) e MAO (Museu de Artes e Ofícios)

Em Belo Horizonte, a Praça Rui Barbosa é conhecida por todos como Praça da Estação. Atualmente, esse local  é o principal espaço público para a realização de shows ou eventos: de apresentações dos jogos da copa do mundo ou palco para as danças juninas até shows com artistas populares e eventos religiosos.
A história dessa praça se confunde com a história da capital mineira, pois, ela abrigou a primeira estação ferroviaria por onde chegou uma infinidade de pessoas e toda uma série de materiais utilizados na construção da cidade. Hoje em dia, nesse édificio de estilo eclético neoclassizante há  uma estação de metrô e um importante museu (o Museu de Artes e Ofícios)


O MAO - Museu de Artes e Ofícios - é considerado uma importante viagem ao passado das profissões que se desenvolveram ao longo da história do Brasil. É um museu único que ocupa mais de nove mil metros quatrados de área com  mais de duas mil peças que retratam toda a riqueza e o processo de transformação dos ofícios e profissões no nosso país. O museu foi inaugurado no ano de 2005 com uma parte dedicada a exposição permanente de objetos produzidos entre os séculos XVIII e XX. E uma outra parte com exposições temporárias.



Belo Horizonte - Lugares & Imagens _ Escola Estadual Pedro II






O antigo Grupo Escolar Pedro II é um projeto do arquiteto Carlos Santos datado de 1926. Localizado no Bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, essa belíssima edificação é um exemplo de um estilo que tinha a pretensão de representar o sentido nacionalista: o  neocolonial. Destaque para os elementos da arte barroca e do rococó, com detalhes em pedra sabão e azulejos portugueses.











Todas as fotos acima são de autoria de Ronaldo Campos

sábado, 13 de novembro de 2010

Belo Horizonte - Lugares & Imagens _ Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG)




O IEMG também é conhecido como o casarão rosado da educação. De fato, é um das mais belas construções da capital mineira e um importante estabelecimento de ensino (referência para todo o estado e país).
Essa edificação é datada de 1898. Foi construída originalmente para abrigar o Ginásio Mineiro, mas como havia um atraso no cronograma das obras, acabou abrigando o Tribunal da Relação (algo como o tribunal de justiça da cidade).
Construído em linhas sóbrias mas elegantes, denuncia o gosto entre o neoclássico e o eclético. Estilos que marcaram as construções públicas de vulto na nova capital mineira. O autor do projeto foi Edgar Nascentes Coelho.




Belo Horizonte - Lugares & Imagens _ Museu Abílio Barreto


O Museu Histórico Abílio Barreto é um dos meus lugares preferidos na capital mineira. Segundo dados da prefeitura municipal de Belo Horizonte, esse museu foi inaugurado em  de fevereiro do ano de 1943. Nessa época,  Juscelino Kubitschek de Oliveira era o prefeito da cidade. E o nome do museu foi uma merecida homenagem ao historiador Abílio Barreto (autor de uma importante obra sobre a cidade - "Belo Horizonte; memória histórica e descritiva ".  
A foto acima é da antiga sede  da Fazenda do Leitão. Propriedade que existia desde os tempos que a região pertencia ao antigo Curral Del Rey. Provavelmente foi construída por José Candido Lúcio da Silveira em 1883 aproximadamente.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Stanley Kubrick: educação e violência






As imagens acima são de um garoto bomba palestino sendo capturado pelas tropas israelenses. Na sequência de fotos podemos ver a desumanização do Homem pela banalização da violência. Não tenho muita certeza com relação a data desse evento, lembro da grande polêmica causada por essas imagens. Eu recebi num e-mail e quando as vi pela primeira vez fiquei extremamente chocado. Mas, o tempo foi passando, outras barbaridades ocorreram e a história desse garoto se perdeu. Foi esquecida como tantas outras histórias. Também devemos lembrar que tais fatos chocantes são tantos que é muito difícil mantê-los vivos na nossa memória.

Mas estas e outras imagens podem nos levar a seguinte questâo: qual o motivo que leva um indivíduo a ser "educado " para morrer por uma causa... Estranho também é pensar naquelas pessoas que são educadas para matar. O que leva um indivíduo as ser programado (educado) para ver a violência como algo natural. 

Talvez um caminho para tentar responder essa questão pode ser encontrado em uma outra sequência de imagens (só que agora "imagens em movimento", ou seja, cinema).

O olhar agudo de  um diretor como S. Kubrick pode se abrir a múltiplas interpretações. Laranja Mecânica, Nascido para matar e tantos outros abordam a banalização da violência na nossa sociedade.

O ser humano só existe vivendo em sociedade. E para viver nesse mundo social é preciso ser educado. E não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. A educação é socialmente determinada ou seja, é determinada por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. É uma atividade humana necessária à toda existência e funcionamento de todas as sociedades. Em suma, é um  processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar em sociedade e a transformá-la em função de necessidades sócio-culturais e econômicas da coletividade. Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos. Estes ao assimilarem e recriarem essas influências tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. Em sentido estrito, a educação ocorre em instituições especificas, escolares ou não, com finalidades explicitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente, deliberada e planificada embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais.

Por exemplo, no filme de Stanley Kubrick, Full Metal Jacket, podemos perceber claramente a prática educativa na formação de um indíviduo das forças armadas norte-americanas. Para enfatizar essa questão podemos analisar apenas a primeira parte do filme que mostra o processo de formação - preparação - educação dos jovens americanos que se preparam para o desembarque no conflito vietinamita.

Inicialmente, podemos perceber que , em Nascido para matar (título brasileiro para Full Metal Jacket), Stanley Kubrick nos apresenta um estudo detalhado do processo educativo que visa a  supressão da identidade individual para  substituí-la por um código moral e ideológico adequado aos interesses de conquista de uma nação supostamente democrática. Ele divide sua narrativa basicamente em dois momentos: o treinamento e o combate. Aqui vou me ater apenas ao primeiro momento.

Nas primeiras imagens, os personagens são apresentados durante o primeiro ato de uniformização do indivíduo - cada persona  é focalizada, em plano médio, ao ter os seus cabelos raspados. O corte de cabelo, antes de ser uma distinção e referência social de cada indivíduo, é substituido pela ausência de qualquer elemento de caracterização individual. A seguir todos encontram-se reunidos num grande domitório, devidamente unifomizados, para ouvir as primeiras instruções. O instrutor dita as novas regras de convívio social e explicita o propósito do treinamento: destituir os recrutas de seu código social e de sua individualidade para torná-los máquinas de matar, prontos a servir à pátria, a qualquer momento e sem questionar.

No treinamento, Kubrick privilegia o plano geral, focaliza os personagens confinados em grandes espaços, exemplo disto é o dormitório, onde o diretor cuida em acentuar a profundidade do ambiente, deixando os personagens sem um ponto de referência onde possam encontrar opoio. Ao focalizar os recrutas individualmente Kubrick coloca a câmara bem perto de serus rostos, aumentando a impressão de sufocamento. O coletivo, aos poucos, se apropria das partes e pune severamente aqueles que encontram dificuldades em se adaptar a ordem imposta e qualquer transgressão é intolerância. A punição, inicialmente, se dirige diretamente à parte em desarmonia e, num segundo momento, o coletivo sofre pela falta cometida por aquela parte e, toma para si a função de reprimi-la até adequá-la às novas regras.

O ponto alto de qualquer processo eduativo sem sobra de dúvida é a formatura. No ritual de formatura dos soldados é consagrada uma nova identidade respaldada no coletivo e capaz de garantir uma espécie de imortalidade que passa por atos heróicos que serão preservados pela memória da instituição. O movimento de câmara segue os formandos, ora alternando para a nova corporação ora para a multidão de convidados que euforicamente saudam as tropas armadas. Contudo, após o ritual da formatura, o sinal de transgressão aparentemente contido e eliminado (por todo o processo educativo, de socialização do exército), retorna transformado (transtornado) em uma criatura ideal que utiliza-se de sua nova condição para rebelar-se contra o criador.

Quem sou eu

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Graduado nos cursos de Filosofia e História pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Filosofia da Arte e Estética pela mesma Universidade. Atualmente sou professor assistente b do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Tenho experiência na área de Filosofia, com ênfase em História e Filosofia da Arte, atuando principalmente nos seguintes temas: fundamentos filosóficos da educação, introdução ao pensamento científico e filosofia da ciência, cinema e artes visuais, aspectos formais da arte, criatividade, processo de criação, estética da formatividade de Luigi Pareyson, cultura e modernidade brasileira.